Nota sobre a desastrosa declaração de Benjamin Netanyahu

Por William Zeytounlian*

Em um dos livros em que repete
pela milésima vez a mesma piada,
Slavoj Zizek conta a história judaica do menino
que, depois de ouvir uma narrativa maravilhosa,
pergunta ao rabino:

mas isso realmente aconteceu? é verdade?
ao que o rabino responde:
não aconteceu realmente, mas é verdade.

Essa anedota um tanto absurda
ajuda entender perfeitamente
a desastrosa declaração de Netanyahu
de que o mufti de Jerusalém, em 1941,
teria sugerido a ‘solução final’ a Hitler.

não aconteceu realmente, mas é verdade!

ou seja:

a declaração de Netanyahu carrega uma ‘verdade simbólica’
(‘hoje em dia, nós da direita sionista
odiamos mais os palestinos
do que os próprios nazistas
‘)
que é
maior do que sua verdade factual
(‘é óbvio que o genocídio dos judeus
era pauta entre alemães desde 1939,
não uma maquinação palestina
‘).

Moral óbvia da história:

num mundo em que as postagens do Sensacionalista​
parecem notas de rodapé à Folha de SP:
a mentira, muitas vezes,
revela verdades mais úteis
do que a própria verdade em si.

* William Zeytounlian (São Paulo, 1988) é mestre em História Social pela Universidade Federal de São Paulo, tradutor e poeta, autor do livro Diáspora (Demônio Negro, 2015).

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