Ucrânia além das cortinas de fumaça: do êxtase ao caos

Por Maurício Santo Matar*

ukraine_russia_protest_ap_img

Essa é a segunda parte de nossa análise sobre a situação atual na Ucrânia.Foi muito interessante ver, desde quando comecei a escrever esse texto, como surgiram desdobramentos novos e marcantes que me fizeram adicionar algumas linhas. Ao final do artigo constam as referências relativas à versão anterior e a esta.

A segunda parte trata da história recente da Ucrânia, que antecede a crise atual. Conforme vimos, a história da Ucrânia é de um país que se formou a partir da união de povos mais ligados à Europa Ocidental e povos mais ligados à Rússia.

Veremos a seguir como a crise atual surge quando o governo da Revolução Laranja desequilibrou o arranjo geopolítico no país, o equilíbrio entre suas metades.

O governo Yushchenko começou com significativo apoio popular e declarações ousadas – ele chegou a afirmar que removeria a Frota do Mar Negro de Sebastopol [8]. No cenário internacional, Yushchenko se aproximou da Europa e dos Estados Unidos. Nesse ponto, cabe uma nota importante.

Desde o final da Guerra Fria os Estados Unidos mantiveram uma política relativamente amistosa em relação à Rússia. Na década de 1990, os americanos silenciaram fatos sobre as guerras russas na Chechênia e deixaram o país eslavo hegemonizar seus antigos parceiros júniores de União Soviética. Em 2009 a revista alemã Der Spiegel publicou que houve um acordo de cavalheiros nas negociações da Reunificação da Alemanha de que a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não se expandiria pelo leste europeu [9].

Porém, durante o governo de George W. Bush (2001-2009), a situação mudou. Talvez com a recuperação econômica e geopolítica da Rússia e com a retórica nacionalista e forte do novo presidente (Putin, que assumiu em 2000), ou pela mentalidade expansionista dos neoconservadores que ascenderam ao poder com Bush. Os Estados Unidos passaram a apoiar ativamente governos “anti-Rússia”, como o do georgiano Mikheil Saakashvili e do próprio Yushchenko. Além disso, a OTAN se expandiu para incluir ex-membros do Pacto de Varsóvia, como a Romênia e a Bulgária e até mesmo ex-repúblicas soviéticas como a Lituânia.

Esse processo culminou com a investida dos Estados Unidos de implantar um avançado sistema de mísseis no leste europeu, que cercaria a Rússia de baterias antiaéreas e radares [10]. O sistema desgastou significativamente as relações entre Estados Unidos e Rússia, já enfraquecidas pela oposição russa à invasão americana do Iraque. Mais tarde, em 2009, Barack Obama cancelou o programa, mas o estrago já estava feito.

Em 2008, o governo de Saakashvili teve a intenção de romper, à força, um impasse político em seu país, tentando retomar o controle de regiões pró-Rússia da Geórgia. A Rússia respondeu prontamente e venceu os georgianos na chamada Guerra de Agosto [11]. Isso fez com que os russos e seus simpatizantes da Ucrânia ficassem crescentemente preocupados com a possibilidade de seu país se tornar um peão no cerco da OTAN à Rússia [12]. O governo Yushchenko, por sua vez, havia feito diversas promessas domésticas importantes e estava em dificuldades de implantá-las poucos meses após assumir.

Em setembro de 2005, Yushchenko rompeu com Yulia Tymoshenko e a demitiu do governo. Os motivos são obscuros, Tymoshenko havia anulado a privatização de uma companhia de mineração, vendida a aliados de Kuchma. Pouco tempo após sua saída, a decisão foi revogada [5].

De qualquer forma, fato é que o rompimento marcou o início de um período turbulento que duraria até o final de seu governo. Yushchenko nomeou um obscuro aliado, Yuriy Yekhanurov, como primeiro-ministro. O gabinete teve que ser votado duas vezes para conseguir afirmar-se e, mesmo aceito, não logrou operar o parlamento.

Em agosto de 2006, quase um ano após o início da crise, Yushchenko se viu obrigado a nomear o antigo rival, Viktor Yanukovich, como novo primeiro-ministro [2]. O que se seguiu foi um período de conflito entre o presidente e o Parlamento, que foi dissolvido em 2007 e operou um boicote às novas eleições chamadas por Yushchenko.

O pleito foi realizado, mas teve o efeito inverso do esperado pelo presidente. Seu partido diminuiu e o de sua rival Yulia Tymoshenko cresceu, bem como partidos pró-Russia, como os comunistas. Yushchenko foi então obrigado a readmitir Yulia como primeira-ministra.

Uma nova crise surgiu logo depois, no segundo semestre de 2008, quando o partido de Tymoshenko votou juntamente com a oposição, o Partido das Regiões de Yanukovich, para introduzir uma lei que limitaria os poderes do presidente e expandiria os do parlamento e do primeiro-ministro. Yushchenko se opôs à legislação e tentou nova dissolução do parlamento, mas fracassou. Não obstante, a convivência entre os dois se mostrou difícil e trocas de acusações foram frequentes [13].

Em 24 de dezembro de 2008, a empresa estatal ucraniana Naftogaz foi notificada pela estatal russa Gazprom de que esta não iria mais transmitir gás à Ucrânia (nem permitir que o gás russo fluísse para a Europa por meio da Ucrânia) caso os ucranianos não pagassem suas dívidas com a empresa russa [14]. Essas dívidas são bastante controversas, tendo em vista que se originam do período em que a Ucrânia era parte da ex-URSS.

A notificação foi seguida por um corte do fluxo de gás que afetou de forma significativa a Ucrânia, dependente do gás russo, cujo consumo é bastante elevado durante os meses de inverno, justamente o período em que Rússia optou por cobrar a dívida. A Europa como um todo também sentiu o impacto da medida, o que demonstrou a profunda dependência do continente em relação ao gás russo. A disputa se estendeu durante todo o ano de 2009 e desgastou profundamente o governo de Yushchenko e Tymoshenko, que trocaram acusações pela crise.

Foi nesse contexto que ocorreu a eleição presidencial de 2010, com o campo da Revolução Laranja dividido, com Tymoshenko e Yushchenko concorrendo separados. O pleito foi vencido por Viktor Yanukovich. Relevante dizer que a União Europeia considerou as eleições livres e justas [15].

O governo de Viktor Yanukovich começou de forma arrojada. Já no início de 2010, a Ucrânia e a Rússia firmaram um tratado na cidade de Kharkiv que pôs fim à disputa do gás que marcara o país no ano anterior; a Ucrânia continuaria a receber gás russo e teria sua dívida administrada, em troca, a Rússia recebeu mais 25 anos de autorização para manter sua estratégica base em Sebastopol [16].

Yanukovich adotou, no início, um tom conciliador, afirmando que a Ucrânia iria adotar um caminho intermediário, mantendo laços com a Rússia e a Europa. Já a possibilidade de entrada na OTAN, levada à frente por Yushchenko, foi paralisada. Yanukovich afirmava que queria uma Ucrânia neutra [17].

O tom conciliatório durou pouco. No início de 2011 a líder da oposição, Yulia Tymoshenko, foi presa acusada de corrupção, no que muitos viram um movimento do governo para enfraquecer a oposição [18].

Em 2012, eleições parlamentares aumentaram os assentos do governo [19]. Observadores internacionais afirmaram que a eleição foi aceitável, mas que piorou em relação àquela de 2010 [20]. No mesmo ano, Yanukovich aprovou uma lei que tornou o russo idioma oficial, o que elevou a tensões com a região oeste, que sempre foi contrária à influência da Rússia [21].

Em 2013, a Ucrânia estava concluindo os últimos passos para celebrar seu acordo de associação com a União Europeia (UE) [22]. O ajuste, celebrado anteriormente com diversos países que depois entraram na UE, é considerado como o último passo antes da acessão à União. Os meses anteriores ao acordo viram crescer as pressões russas sobre a Ucrânia, com diversas medidas erráticas do governo russo [23] que penalizaram empresas e interesses ucranianos, tais como o banimento da importação de chocolates e o endurecimento de vistorias alfandegárias.

12159254455_58da9b09aa_b

(Foto de Sasha Maksymenko)

Em novembro de 2013, às vésperas da assinatura do acordo, o governo retirou-se das negociações. O recuo em relação ao acordo enfureceu a população pró-Europa do oeste do país que começou uma manifestação em Kiev, se agrupando na praça Maidan (o movimento ficaria conhecido como Euromaidan) [24]. As manifestações, inicialmente formadas por membros da oposição em especial membros do partido de Tymoshenko e do novo partido do ex-boxeador Vitaly Klitschko, tiveram, ainda, a adesão de membros polêmicos da extrema direita [25].

O partido Svoboda (Liberdade) e o grupo político Privy Sektor (Setor da Direita) são organizações que cresceram no período da Yushchenko e Yanukovich, impulsionados pela frustração de parte da população com a persistência da crise econômica que assombrou a Ucrânia a partir de 2008 e que nunca viu recuperação. Ambos reivindicam o legado de Stepan Bandera, o líder nacionalista da Segunda Guerra que aproveitou a invasão alemã para tentar tornar a Ucrânia independente.

Diante da brutal repressão levada a cabo pelas forças policiais, com mortes e torturas [26], a população de Kiev e de outras cidades engrossou as manifestações. Os partidários da Rússia afirmam que as manifestações foram comandadas por neonazistas, o que não parece encontrar raízes na realidade: jornalistas do Guardian, que têm adotado uma postura razoavelmente isenta na crise, colheram depoimentos de pessoas comuns, de todos os espectros políticos, que afirmaram que o movimento de Maidan foi um legítimo levante popular [27].

Não obstante, é fato que o Svoboda e o Privy Sektor ganharam destaque, tanto por sua organização e capacidade de aparecer quanto por terem sido os organizadores da luta física contra a polícia, inclusive com o uso de armaduras e armas de cerco.

Em 21 de fevereiro de 2014, Yanukovich assinou um acordo com Klitschko, Arseniy Yatsenyuk (do partido de Tymoshenko) e Oleh Tyahnybok (líder do Svoboda), com mediação da União Europeia [28]. Nele era prevista a formação de um governo de unidade nacional, a antecipação das eleições para maio de 2014 e a diminuição dos poderes presidenciais. Parecia um desfecho similar ao da Revolução Laranja.

Porém, um dia depois, numa ação razoavelmente organizada, manifestantes em Kiev invadiram diversos prédios do governo, incluindo o parlamento e o palácio presidencial. Yanukovich fugiu de Kiev e o parlamento o depôs [29]. No mesmo dia, foi formado um novo governo com Oleksandr Turchynov como presidente e Yatsenyuk como primeiro ministro. Diversos membros do Svoboda entraram no governo e uma nomeação controversa foi do ativista Andriy Parubiy, ex-membro de um partido declaradamente neonazista, para o conselho de defesa nacional [30].

Por todo o país, os escritórios do Partido das Regiões (de Yanukovich) foram queimados [31], e poucos dias depois o governo o dissolveu. Outra medida do novo governo foi revogar a lei de 2012 de Yanukovich, sobre o status do idioma russo [32]. O presidente Turchynov revogou a lei no dia seguinte, mas a essa altura a população do leste do país (falantes de russo) já estava amedrontada de forma irreversível.

Em 27 de fevereiro de 2014, homens armados sem identificação invadiram prédios públicos na península da Crimeia, depuseram o governo regional e proclamaram um novo governo, liderado por um político do partido União Russa, Sergey Aksyonov [33]. O novo governo rapidamente consolidou seu controle sobre a península, cercando as bases militares ucranianas e ocupando todos os prédios públicos e aeroportos relevantes.

Em 16 de março, um referendo foi realizado e os cidadãos da Crimeia e de Sebastopol votaram por se separar da Ucrânia e se unir à Rússia; em 18 de março, a península passou a fazer parte da Rússia com a assinatura de um tratado entre Putin e os líderes da Crimeia e de Sebastopol. As celebrações ocorridas nas ruas das principais cidades da Crimeia apontam para forte apoio popular [34].

Dias depois, em 7 de abril, homens armados ocuparam prédios públicos na região de Donbass, proclamaram a República Popular de Donetsk [35] e marcaram um referendo similar ao da Crimeia, para o dia 11 de maio. Assim como no caso da Crimeia, eles têm amplo apoio popular, inclusive dos mineiros da região, grupo que raramente se envolve em política, mas que, quando o faz, mobiliza largos contingentes [36].

O governo de Kiev tentou retomar o leste, mas fracassou, inclusive com uma ação cinematográfica na qual os ativistas da República Popular tomaram uma coluna de tanques e os posicionaram próximos às sedes do governo. O impasse prossegue.

Em 10 de abril, a Rússia, os EUA, a UE e o governo de Kiev assinam um acordo em Genebra [37] que prevê a desocupação de todos os prédios públicos, o desarmamento de todas as milícias e uma Assembleia Constituinte para instituir um Estado federal. Porém, o acordo jamais vingou.

Os ativistas pro-Rússia se recusaram a abandonar suas posições se o governo de Kiev não renunciasse e assim a crise se manteve, no final de abril o governo central iniciou uma operação chamada por eles de “anti-terrorista” [40] para retomar as regiões no leste, mas não obteve nenhum avanço significativo, com os rebeldes mantendo suas posições. Em 2 de maio houveram conflitos violentos no leste e, pela primeira vez no sul (outra região com ligações com a Rússia conforme visto).

Em Odessa, cidade fundada por Catarina a Grande, uma manifestação pro-federalismo foi atacada por bandos armados que se acredita serem membros dos grupos de extrema direita que apoiam o governo central. Os manifestantes fugiram para um prédio de um sindicato local, mas os nacionalistas incendiaram o prédio, 30 pessoas morreram [41]. No mesmo dia ocorreram confrontos no leste.

Essa situação levou a retórica internacional a se intensificar, a Rússia acusando o Ocidente de cumplicidade com um governo violento e sendo acusada de insuflar a violência.

Em 11 de Maio os ativistas nas regiões de Donetsk e Lugansk, no leste fazendo fronteira com a Rússia declararam independência [42], porém a Rússia não teve a mesma postura enérgica que adotou na Criméia e não moveu suas forças, que permaneceram na fronteira.

Um impasse político e militar permanece desde então, com batalhas diárias na região que já começam a afetar a população local, que se vê no meio de uma guerra [43]. A postura russa parece apaziguadora e Putin já demonstrou apoio às eleições presidenciais de domingo, dia 25, que devem ser ganhas por Petro Poroshenko, um oligarca do ramo de alimentos com quem Putin parece esperar negociar [44].

Análise: além da cortina de fumaça

Tendo examinado e compreendido todos os antecedentes da atual situação, torna-se possível uma análise da situação para além da propaganda dos dois lados do conflito. Inicialmente, pode-se dizer que é fato que a Ucrânia e a Rússia são países irmãos, países que dividem um legado histórico cultural profundo, e que tem legitimidade a posição que afirma ser natural a ligação entre eles. Também é verdade, por outro lado, que a ação da Rússia na Ucrânia muitas vezes foi danosa ao povo ucraniano e que muitas vezes a ligação entre as duas nações foi confundida pela Rússia como certo “direito de tutela” – de forma que o ressentimento dos ucranianos do oeste contra a Rússia também é fundamentado.

Fato é que a Ucrânia é um país com uma identidade dupla: oriental e ocidental, e que todos os momentos de sucesso do país, do apogeu do Kievan Rus e do Hetmanado à prosperidade vivida no zênite da ex-URSS, se deram apenas quando quem governou a Ucrânia soube conciliar essas duas faces da identidade do país. Ironicamente, parece que a melhor visão para a Ucrânia seria aquela que Yanukovich dizia promover (muito embora talvez não de forma sincera), a visão da Ucrânia como um país neutro e que se relacionasse com a Rússia e a Europa.

Quanto à crise atual, é possível concluir que ela foi fruto de posições extremadas por parte de todos os atores. A Rússia errou ao pressionar Yanukovich a não assinar o acordo com a União Europeia e em usar o gás como instrumento de controle e chantagem sobre a Ucrânia, atitudes que fortaleceram o ressentimento existente no país com relação à Rússia, especialmente junto àquela parcela da população que não tem tanta identificação cultural com o gigante eslavo. Tivesse a Rússia sabido agir mais como Kruschev e menos como Stalin, talvez houvesse simpatia maior dos ucranianos do oeste em relação ao país, ou ao menos não houvesse temor.

Já o campo “nacionalista” errou desde Yushchenko em não perceber (ou não se importar) em ser utilizado como joguete no cerco da OTAN à Rússia. Yushchenko jamais deveria ter flertado com a OTAN. Na crise atual, esse campo também errou ao não ter a postura conciliatória que Yushchenko teve ao aceitar o acordo com Kuchma na Revolução Laranja. Além disso, a tolerância das lideranças democráticas do Euromaidan, os campos de Tymoshenko e Klitschko, as atitudes verdadeiramente fascistas como o ataque às sedes do Partido das Regiões e a supressão do idioma russo explicam os levantes na Crimeia e em Donbass.

Os simpatizantes da Rússia no leste da Ucrânia não são “agentes de Moscou”, são uma população com uma conexão sociocultural sincera com a Rússia, atores legítimos na sociedade ucraniana que devem ser respeitados. Seu levante só se deu quando ficou claro que o novo governo de Kiev não estava interessado em lhes dar voz, pela destruição dos escritórios e posterior banimento do partido em que se referenciavam e pela ameaça a seus direitos culturais.

É evidente que foi muito interessante para a Rússia readquirir controle sobre a Crimeia, mas o fato da região ter se levantado é exclusivamente culpa da imprudência do governo de Kiev, ao dar ouvido aos extremistas do Svoboda e do Privy Sektor.

A Ucrânia se encontra nesse momento à beira da guerra civil, a Rússia parece querer uma solução negociada, que vai depender de quem seguir no poder em Kiev, as eleições de domingo serão decisivas nesse caso. Porém, caso uma solução efetiva não seja construída nos parece que a situação tenda a piorar. O país já se encontra em grave crise econômica, as manifestações da praça Maidan começaram inclusive por esse motivo.

Se a perspectiva de Petro Poroshenko vencer a eleição e negociar algum tipo de acordo com Putin e os pro-russos, que provavelmente envolverá a federalização do país é possível que a situação se acalme e o conflito militar chegue a uma solução. Porém, ele deixará marcas profundas.

Do ponto de vista geopolítico essa crise, chamada comumente na mídia de “o maior conflito entre Ocidente e Rússia desde a Guerra Fria” deve servir para marcar definitivamente a ruptura da ideia de cooperação entre Rússia e Ocidente, que se encontrava fragilizada desde a época da Bush. Marca também, em nossa opinião, uma decepção da Rússia com a Europa, com quem Putin sempre buscou uma aproximação maior do que com os EUA.

Há alguns dias Rússia e China firmaram um acordo histórico de fornecimento de gás [45], o que pode significar que com essa situação pode levar a uma maior aproximação entre esses países, especialmente porque a China também se vê cada vez mais assediada pelo Ocidente [46].

Economicamente, acreditamos ​que a consequência mais significativa será a Europa se ver obrigada a achar novas fontes de energia.

Quanto à Ucrânia em si, o futuro dependerá da situação econômica e social, tanto a revolta de Maidan quanto o sentimento pro-Russia refletem uma insatisfação com as condições de vida no país, especialmente quando os ucranianos olham seus vizinhos, sejam os russos ou os poloneses, e vêem que eles se deram melhor nos últimos anos.

Se o próximo governo ucraniano não conseguir corresponder a essas aspirações ou reconciliar o país pode surgir uma perigosa sensação de frustração e incerteza que alimente posições extremistas de ambos os lados. Em um país com uma memória coletiva repleta de violência podem haver novas explosões, piores que essa.

*Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo, cursa Especialização em Gestão Pública na Fundação Getúlio Vargas. Advogado público, atua em empresa pública na área de controle.
Referências
[1] Kievan Rus: http://russiapedia.rt.com/russian-history/early-days/
[2] Hetmanado Cossaco e breve história da Ucrânia: http://www.aljazeera.com/programmes/witness/2012/11/2012112261029228352.html
[3] Grande Guerra do Norte: http://www.historylearningsite.co.uk/great_northern_war.htm
[4] Governo Austríaco no oeste da Ucrânia: http://global.britannica.com/EBchecked/topic/612921/Ukraine/30072/Western-Ukraine-under-the-Habsburg-monarchy
[5] História moderna da Ucrânia: http://www.bbc.com/news/world-europe-18010123
[6] Ucranianos acham que fome dos anos 30 foi provocada: http://en.interfax.com.ua/news/general/175778.html
[7] Jornalistas mortos no governo Kuchma: http://www.nytimes.com/2005/03/01/world/europe/01iht-kiev.html?_r=0
[8] Yushchenko afirma que pode remover frota: https://www.kyivpost.com/content/ukraine/yushchenko-russian-black-sea-fleet-must-be-withdra-53835.html
[9] Promessa de não expansão da OTAN: http://www.spiegel.de/international/world/nato-s-eastward-expansion-did-the-west-break-its-promise-to-moscow-a-663315.html
[10] Escudo anti-misseis: http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6570533.stm
[11] Guerra de Agosto: http://www.nytimes.com/2008/11/13/opinion/l13caucasus.html?_r=1
[12] Aproximação entre Yushchenko e a OTAN: http://www.cbc.ca/news/world/ukraine-s-yushchenko-hopeful-of-joining-nato-1.835840
[13] Crise de 2008: http://content.time.com/time/world/article/0,8599,1838848,00.html
[14] Crise do gás de 2009: http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7240462.stm
[15] Eleições de 2010 “livres e justas”: http://euobserver.com/foreign/29431
[16] Pacto de Kharkiv: http://www.wider-europe.org/sites/default/files/publications/Wider%20Europe%20Working%20Paper%206,%202010.pdf
[17] Ucrânia deve ser neutra: http://www.kyivpost.com/content/politics/yanukovych-ukraine-will-remain-a-neutral-state-56539.html
[18] Prisão de Yulia Tymoshenko: http://www.bbc.com/news/world-europe-15250742
[19] Vitória de Yanukovich em 2012: http://www.kyivpost.com/content/politics/update-ukrainian-parliament-creates-new-coalition-61450.html
[20] Eleição de 2012 piorou em relação a 2010: http://www.bbc.com/news/world-europe-20120888
[21] Lei do idioma russo: http://www.theguardian.com/world/2012/jul/04/ukrainians-protest-russian-language-law
[22] Acordo com a UE sendo concluído: http://en.interfax.com.ua/news/general/175853.html
[23] Pressão russa contra o acordo: http://www.economist.com/news/europe/21583998-trade-war-sputters-tussle-over-ukraines-future-intensifies-trading-insults
http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424127887323423804579024890156453678?mg=reno64-wsj&url=http%3A%2F%2Fonline.wsj.com%2Farticle%2FSB10001424127887323423804579024890156453678.htmlRussia
[24] Início do Euromaidan: http://www.themoscowtimes.com/business/article/ukraine-opposition-protests-europe-u-turn/490110.html
[25] Os grupos de extrema direita: http://www.bbc.com/news/world-europe-26001710
[26] Repressão: http://www.bbc.com/news/world-europe-25164990
[27] Relato sobre a ampla participação popular no movimento de Maidan: http://www.theguardian.com/cities/2014/apr/08/architects-revolt-kiev-maidan-square-ukraine-insurrection
[28] Acordo entre oposição e Yanukovich: http://www.theguardian.com/world/2014/feb/21/ukraine-president-says-deal-has-been-reached-opposition-bloodshed
[29] Yanukovich foge e é deposto: http://www.reuters.com/article/2014/02/22/us-ukraine-idUSBREA1G0OU20140222
[30] Extrema direita no governo: http://www.channel4.com/news/svoboda-ministers-ukraine-new-government-far-right
[31] Ataques aos escritórios do Partido das Regiões: http://voiceofrussia.com/news/2014_02_18/Radical-protesters-burst-into-Party-of-Regions-Kiev-office-4157/
[32] Revogação da lei da língua: http://rt.com/news/minority-language-law-ukraine-035/
[33] Revolta da Crimeia: http://www.huffingtonpost.com/2014/02/27/ukraine-pro-russia-gunmen_n_4864695.html
[34] Celebrações após o referendo da Crimeia: http://www.aljazeera.com/news/europe/2014/03/crimea-celebrates-as-region-joins-russia-20143224139630640.html
[35] Revolta em Donetsk: http://www.aljazeera.com/news/europe/2014/04/protesters-seize-arms-ukrainian-city-20144772324155489.htmlu
[36] Apoio à revolta em Donetks: http://www.theguardian.com/world/2014/apr/12/east-ukraine-protesters-miners-donetsk-russia
[37] Acordo de Genebra: http://www.theguardian.com/world/2014/apr/17/ukraine-crisis-agreement-us-russia-eu
[38] Situação atual: http://internacional.elpais.com/internacional/2014/04/24/actualidad/1398331490_441077.html
[39] Ameaças russas à Ucrânia: http://www.washingtonpost.com/world/europe/kiev-orders-military-moves-in-eastern-ukraine-after-local-politician-assassinated/2014/04/23/8e5f001c-caa5-11e3-a75e-463587891b57_story.html
[40] Acontecimentos diários http://www.aljazeera.com/news/europe/2014/03/timeline-ukraine-political-crisis-201431143722854652.html
[41] Choques em Odessa http://www.theguardian.com/world/2014/may/02/ukraine-dead-odessa-building-fire
[42] Referendo separatista http://www.publico.pt/mundo/noticia/depois-do-sim-separatistas-aguardam-veredicto-de-putin-1635546
[43] Conflito militar no leste http://www.washingtonpost.com/world/europe/ukraines-military-and-pro-russian-separatists-face-shortcomings-in-their-fight-in-restive-east/2014/05/20/8dfc3a0e-df77-11e3-8dcc-d6b7fede081a_story.html
[44] Petro Poroshenko e Putin http://www.nytimes.com/2014/05/19/world/europe/frontrunner-in-ukraine-election-may-be-shifting-putins-stance.html?_r=0
[45] Acordo de gás China-Russia http://www.reuters.com/article/2014/05/21/us-china-russia-gas-idUSBREA4K07K20140521
[46] O assédio à China pelos EUA http://www.theguardian.com/commentisfree/2012/jan/06/china-barack-obama-defence-strategy

Tags:, ,

Categorias: Mundo

Conecte-se

Assine nosso feed RSS e nossos perfis sociais para receber atualizações.

Nenhum comentário ainda.

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: