Vamos conversar?

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Aécio Neves terá muito trabalho e reflexão quando retornar de sua lua de mel. Embora o pleito de 2014 ainda esteja distante, quem observa o cenário que se desenha vê crescer perspectivas nada promissoras para o pré-candidato. De um lado, alguns já começam a crer na sua desistência. Essa opção geraria um desgaste considerável à carreira de Aécio. Especialmente se for levada em conta a disputa interna que travou com pouca humildade no PSDB: saiu com a presidência da legenda, a candidatura e desafetos marcados pelo rancor. Outro caminho é encarar a disputa, mas carregado de fragilidades. Talvez seja o momento mais frágil do PSDB desde a saída da presidência em 2003, com possibilidades reais de ficar de fora do segundo turno em 2014.

Aécio sumiu do debate político nacional nas últimas semanas. Quando muito apareceu em afagos feitos pela Rede Globo. Enquanto os demais pré-candidatos figuram bem ou mal em disputas, farpas e movimentações, Aécio não ganha manchetes, só perde. Caso não desista, é bom tirar as crianças da sala. Quem acompanhou a disputa de 2010, sabe como o PSDB se movimenta ideologicamente quando colocado em situação próxima do desespero. Se em 2010 Marina era mais ousadia do que qualquer outra coisa, desta vez o bloco Marina-Campos (independente de quem ficar com a candidatura) é mais do que um discurso de terceira via: máquina, palanques estaduais, cabos eleitorais de peso e maior confiança de setores do empresariado, incluindo o concentrado das comunicações.

É verdade que Marina Silva experimentou o conservadorismo mais convencional ao se utilizar da referência de Hugo Chavez para criticar Dilma recentemente. Porém, na disputa com REDE/PSB pelo papel de oposição mais moderada, o PSDB não tem qualquer chance. O Partido de Aécio só tem caminho livre nessas eleições para a radicalização conservadora, aos moldes do que fez José Serra em 2010. Se não for isso, é sentar e observar Marina e Campos lhe tirarem dia a dia fatias do centro.

Caso o PSDB siga com a sua atual candidatura, temos grandes chances de assistir Aécio Neves adotando posturas e pautas pouco moderadas (e pouco democráticas, na opinião do chargista) para retomar evidência e, finalmente, conseguir conversar.

Caetano Patta é sociólogo formado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e ilustrador. Reúne alguns trabalhos no blog ociosobretela.tumblr.com

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