Tacada de mestre?

Tacada de Mestre, de Caetano Patta

Tacada de Mestre, de Caetano Patta

Marina Silva renunciou ao cargo de ministra de Estado do Meio Ambiente, durante o governo Lula, em maio de 2008. Na carta de demissão endereçada ao presidente, justificava: “… as difíceis tarefas que o governo ainda tem pela frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental”. As forças que “derrubaram” Marina não eram nada ocultas e continuam no mesmo lugar: setores do agronegócio e políticos da bancada ruralista.

Marina deixa o PT e ingressa no PV em 2009. Em 2010, disputa as eleições presidenciais e crava um expressivo terceiro lugar com 19 milhões de votos. A defesa de uma política ambiental em pé de igualdade com as políticas voltadas para o crescimento econômico foi a tônica do discurso – horas instigante, horas ingênuo. Em 2011 Marina deixa o PV por divergências com os caciques do partido. Marina segue questionando o modelo de desenvolvimento do país e, em 2012, faz duras críticas ao Novo Código Florestal, que prefere chamar de “Código Agrário”, alegando que mais uma vez o agronegócio saia vitorioso.

Marina e apoiadores já não cabiam apenas na luta por uma política ambiental mais satisfatória, e expandem a defesa da sustentabilidade e da renovação para outros campos, questionando a forma tradicional de fazer política. Sobre essas ideias, um novo partido (seria mesmo um “partido”?) começava a ser gestado. A Rede Sustentabilidade desafiou todo o sistema político, colocando-se como a expressão de uma esperada renovação. Marina seria novamente candidata à presidência em 2014, desta vez pela Rede. Porém, um percalço impediu que os “sonháticos” realizassem o seu sonho: O TSE negou o registro da Rede (por motivos que podem ser discutidos, e que sem dúvida são diversos).

Marina, agora sem seu partido, mais uma vez expressou seu diferencial: não tinha plano B, enxergava mais do que eleições na política e, caso fosse escolher um partido para se filiar, escolheria com base no programa e não no pragmatismo dos conchavos que tanto vem condenando desde o já distante 2008. Assim, com base em tudo isso, para surpresa geral da nação, Marina tomou sua decisão: filiou-se no PSB, partido que votou em peso (30/32 deputados) a favor do texto do Novo Código Florestal (ou seria “Código Agrário”?), compõe (ou seria “conchava”?) indiscriminadamente governos e prefeituras em todos os níveis da federação e ultimamente tem recebido adesões, apoios e sorrisos de políticos ruralistas e setores do agronegócio. De fato, Marina surpreendeu.

Caetano Patta é sociólogo formado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e ilustrador. Reúne alguns trabalhos no blog ociosobretela.tumblr.com

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3 Comentários em “Tacada de mestre?”

  1. 15/10 às 17:35 #

    Tacada de mestre? De quem?
    Há algum tempo, a Marina vem buscando uma nova maneira de fazer política. As suas saídas do PT e do PV são exemplos eloquentes, coroados pela tentativa de fundação da Rede.
    Acho que será muito difícil para ela manter certa “coerência” dentro de um partido tão “eclético” quanto o PSB, capaz de manter o nome “Socialista” mesmo com vários deputados ruralistas.
    Acho que o maior beneficiado será o E. Campos, que agora poderá angariar parte dos votos destinados a Marina. Apesar de estar bem melhor nas pesquisas, duvido que o PSB aceite-a como cabeça de chapa para as eleições. No último caso, o PSB negociará com o PT uma vantajosa aliança… Não vejo motivos para o PSB impulsionar a carreira política da Marina…
    Golpe de mestre do PSB. Precipitação da Marina… A ver os próximos capítulos.

  2. Guilherme Coelho
    15/10 às 16:29 #

    Eu só gostaria que fosse observado de uma melhor maneira essa dicotomia entre PT e PSDB. Ela existe com certeza desde a primeira eleição do Lula em 2002, mas falar em 20 anos é muita coisa. Pra quem é de São Paulo só a partir do fim do “malufismo” que essas duas legendas não se aliaram mais. A Marta foi eleita com o apoio do governador Covas em 2000 e o covas foi apoiado pelos petistas ligados ao senador Suplicy em 1998. Além do que o PSDB não existe politicamente em muitos lugares do país, tomando como exemplo o Rio de Janeiro.
    Em relação à Marina perdeu o “time” e aí enfraquece a amizade.

  3. Feliciano Cordeiro
    13/10 às 00:53 #

    A Marina e sua Sustentabilidade foram incompetentes para viabilizar o partido. Faltou chão prá ela, que na sua ingenuidade acreditou que a sua presença seria suficiente para superar o preenchimento das exigências da Justiça Eleitoral. Pois bem, ela, que soube elegantemente desfilar na abertura as últimas Olimpíadas, desta vez soube também agir de forma pragmática que norteia todos os políticos que se conduzem ao Poder. Juntou-se com a alternativa política para a dicotomia em que vivemos nos últimos 20 anos, PSDB vs PT. Face aos protestos de junho, certamente há grande possibilidade de sairmos disso por meio dessa união pragmática, Silva e Campos.

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